As origens do Inglês da Realeza Britânica

Com o falecimento da Rainha Elizabeth II, da Inglaterra, no último dia 8 de Setembro, muitos falantes de inglês como segunda língua ou língua estrangeira trouxeram à tona o tema do sotaque tipicamente associado à família real - popularmente conhecido como "Inglês Britânico" ou ainda como posh, que significa "esnobe" ou de "alta classe".


Quero falar sobre isso no artigo de hoje e aproveito para convidá-los a assistir o nosso último vídeo no Canal da Lumos do YouTube, que você pode assistir clicando aqui , já que no vídeo eu tratei no tema de forma bem objetiva.


A origem do sotaque britânico se dá com a influência de uma série de movimentos migratórios. Os povos Anglo-saxões estabeleceram, primeiramente, o idioma na ilha, mas outras influências como as invasões Vikings, bem como a expansão do Império Romano e da Igreja Católica também foram significativas no vocabulário e no sotaque.


Com o passar dos séculos e com o fortalecimento e a estabilidade da Monarquia Inglesa (que, a priori, tinha o francês como língua oficial por conta do vaivém do território da Normandia e linhagem de sangue envolvida), o sotaque passou a ser ainda mais um marcador importante de classe social: as classes mais altas tendiam a "saborear" e "cadenciar" mais a fala, com pronúncia marcada nos sons de t e d, por exemplo.


Um tal de William Shakespeare também ajudou a elevar o conceito do inglês ante outras línguas. Sua obra foi uma verdadeira propaganda do inglês, inventando palavras e agregando seu vocabulário, além de, claro, firmar sotaques.


Mesmo com tudo isso, não havia nenhum tipo de padronização registrada em dicionário, até meados do século 18, pelo menos. Isso começou a ser mais firmemente estabelecido quando as famílias mais ricas mandavam seus filhos para colégios internos e lá as professoras treinavam uma pronúncia padronizada como parte do currículo da escola.


Com tudo isso, o inglês da realeza britânica, traduzido pelos discursos da família real, acabou virando sinônimo do que chamamos de posh ou mesmo "Inglês Britânico". É importante, porém, deixar bem claro para os leitores e leitoras aqui que no Reino Unido há diversos sotaques por conta dos ainda contínuos fluxos migratórios, influência da internet também e a distância de regiões. Ou seja, é difícil falar em um sotaque dominante, e mesmo na família real é possível observar as variações através da análise dos discursos da Rainha ao longo das décadas e mesmo os discursos de seu pai, o Rei George VI.


A Lumos gosta de reiterar que importância principal do aprendizado de uma língua é saber se comunicar com eficácia e clareza. Os sotaques são normais e sempre existirão, sem haver hierarquia entre eles.

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